Etapas emocionais do divórcio: negação, raiva, aceitação

O divórcio é uma das experiências emocionais mais intensas que uma pessoa pode vivenciar

Os psicólogos frequentemente comparam o divórcio a um processo de luto, pois não se trata apenas do fim de uma união, mas do colapso de todo um sistema de hábitos, expectativas e sonhos compartilhados. Para recuperar o equilíbrio interno, a maioria das pessoas passa por várias etapas emocionais: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Este artigo foca em três etapas centrais — negação, raiva e aceitação — e explica como identificar em qual fase você se encontra e como se apoiar durante o processo.

Negação: tentativa de preservar a realidade conhecida

Essa fase geralmente começa logo após a pessoa tomar consciência da ruptura. O cérebro protege a mente da dor intensa, levando-a a acreditar que “ainda dá para consertar” ou “não é definitivo”. Isso pode se manifestar na esperança de que o parceiro mude de ideia ou na evitação de falar sobre o divórcio com amigos e familiares. Trata-se de um mecanismo natural de defesa psicológica, descrito por Elisabeth Kübler-Ross em seu modelo de luto.

Exemplo da vida real: Mariana não conseguia aceitar que seu casamento havia terminado. Continuou enviando mensagens ao ex-marido sugerindo recomeçar e manteve a aliança no dedo por meses. Somente depois de algum tempo percebeu que estava se apegando não à pessoa, mas à ilusão da vida anterior.

Na fase de negação, é importante permitir-se sentir as emoções — inclusive a esperança — sem se culpar por isso. De acordo com a American Psychological Association (APA), reconhecer a realidade da perda é o primeiro passo para reconstruir a resiliência psicológica.

Raiva: confronto com a dor e o sentimento de injustiça

Quando a ilusão de controle desmorona, a raiva frequentemente emerge. A pessoa procura um culpado — na maioria das vezes o ex-parceiro, as circunstâncias ou até a si mesma. Essa etapa é carregada de energia e tensão interna. A raiva pode se expressar em irritabilidade, desejo de vingança ou lembranças dolorosas recorrentes do passado.

Manifestações da raiva Pensamentos típicos Ações úteis
Irritabilidade e explosões de raiva “Como ele/ela pôde fazer isso comigo?” Atividade física, exercícios de respiração
Autoculpa “Eu estraguei tudo” Terapia psicológica, escrever um diário de emoções
Culpar os outros “A culpa é toda dele/dela” Reflexão pessoal, esclarecimento de limites e responsabilidade própria

Reprimir a raiva costuma aumentar o estresse e a tensão interna. É muito mais saudável canalizar essa energia para caminhos seguros: esportes, atividades criativas, conversas com um psicólogo ou arteterapia.

Comentário do autor: A raiva não é inimiga. É um sinal natural de dor e de sensação de injustiça — uma mensagem que diz: “Estou sofrendo porque investi muito nessa relação”. Reconhecer a raiva é, muitas vezes, o primeiro passo rumo à cura.

Aceitação: o início de uma nova vida

A aceitação raramente chega de forma repentina. Não é um momento de alegria, mas uma compreensão tranquila de que o passado não pode ser alterado. O conflito interno com a realidade diminui e torna-se possível olhar para o futuro sem medo avassalador. Nessa fase, muitas pessoas descobrem novos interesses, retomam contato com amigos e se abrem gradualmente para novas relações.

Aceitar não significa “esquecer”, mas integrar a experiência à própria história de vida. Essa etapa costuma vir acompanhada de maior autoestima e de maior capacidade para construir relacionamentos mais maduros e conscientes no futuro.

Exemplo da vida real: Um ano após o divórcio, Lucas percebeu que sua vida não tinha acabado. Inscreveu-se em um grupo de trilhas, passou mais tempo de qualidade com os filhos e começou a escrever um blog sobre sua jornada de recuperação após a separação.
Comentário do autor: A aceitação não é um fim, mas um novo ponto de partida. Quando a antiga estrutura de vida desaba, abre-se espaço para construir uma existência mais harmoniosa e consciente do que antes.

Como se apoiar ao atravessar essas etapas

  • Permita-se sentir — não tente evitar as emoções dolorosas.
  • Evite decisões importantes enquanto a tempestade emocional ainda estiver forte.
  • Procure apoio profissional: um psicólogo ou grupo de apoio mútuo.
  • Mantenha um diário para acompanhar a evolução das suas emoções ao longo do tempo.
  • Cuide do corpo: exercício regular, sono adequado e alimentação equilibrada influenciam diretamente o bem-estar mental.
Pergunta: Quanto tempo leva para chegar à aceitação após um divórcio?
Resposta: Varia muito de pessoa para pessoa — de alguns meses a vários anos. Depende da profundidade do vínculo e dos recursos pessoais de cada um.

Pergunta: É necessário manter contato com o ex-cônjuge?
Resposta: Quando há filhos, é importante estabelecer limites respeitosos e claros. Na ausência de filhos, uma pausa temporária no contato costuma ajudar a restaurar o equilíbrio emocional.
- Quais emoções estão mais presentes em você agora: dor, raiva, cansaço ou talvez alívio?
- O que tem ajudado você a atravessar esse período: apoio de amigos, hobbies, acompanhamento psicológico?
- Que novas possibilidades ou caminhos esse momento de mudança pode abrir para você?

Aviso legal: As informações contidas neste artigo têm caráter exclusivamente educativo e não substituem a consulta a um profissional de saúde mental qualificado. Se você está enfrentando estresse intenso ou sofrimento emocional significativo, recomendamos buscar ajuda de um psicólogo ou psicoterapeuta.

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